Ela combate os estigmas relacionados à deficiência profissionalmente. Suas dicas para uma ótima viagem Eurail
Rachel Schnalzer
25 de setembro de 2024
Catarina Rivera faz uma pose do lado de fora da estação de trem em Hendaye, França (Catarina Rivera)
Catarina Rivera se apaixonou por viagens pela primeira vez entre os pinheiros e picos das montanhas da Cantábria. Na época, ela estava cursando o ensino médio nos Estados Unidos e sua família atravessou o Atlântico para visitar parentes distantes que moravam no norte da Espanha.
“Esta viagem ampliou minha visão de mundo. Eu adorei. Foi muito legal vivenciar outra cultura”, disse Rivera, que hoje trabalha como palestrante e consultora em diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade. Em 2020, ela fundou a Blindish Latina, uma plataforma focada em desmantelar os estigmas em torno da deficiência por meio de trabalho de defesa e narração de histórias.
"Tenho um campo visual muito reduzido e uso aparelhos auditivos, e senti que as pessoas realmente não entendiam minha experiência de vida", disse Rivera. "Tem sido uma experiência incrível compartilhar sobre viagens nas mídias sociais como viajante com deficiência e aumentar a conscientização sobre a necessidade de viagens inclusivas e acessíveis."
No último outono, Rivera usou um Passe Eurail para voltar ao norte da Espanha, enquanto visitava muitos outros destinos europeus pelo caminho. Ela documentou sua viagem em sua conta do Instagram e, depois, conversou conosco sobre seu itinerário, momentos favoritos e conselhos para viajantes de primeira viagem na Interrail e na Eurail.
Esta entrevista foi condensada e levemente editada.
O que tornou viajar de trem pela Europa tão atraente para você?
Sou apaixonada por viagens de trem. Morei na cidade de Nova York por muitos anos e, nas festas de fim de ano, pegava o trem de Nova York para o meu estado natal, Maryland. Era tão fácil.
Tenho ansiedade quando viajo de avião, e viajar de trem é menos estressante para mim. Adoro a experiência de simplesmente aparecer, entrar no trem, olhar pela janela e simplesmente sair quando chego.
Estamos curiosos sobre sua recente viagem. Para onde você viajou?
Então, esta foi a minha primeira vez usando o Passe Eurail. Com ele, pude viajar por vários tipos de rotas com diferentes estilos de trens.
Por exemplo, meu parceiro e eu viajamos de primeira classe de Londres para Edimburgo, com direito a uma refeição. E então, em vez de voar de Edimburgo para Dublin, pegamos o trem para Holyhead e depois pegamos uma balsa para a Irlanda.
Ao longo do caminho, atravessamos o País de Gales, que era tão bonito e tão verde. Foi um dia de viagem de trem cheio de aventuras, mas foi realmente divertido.
Depois da Irlanda, voamos para Paris e pegamos mais trens, primeiro para Bordeaux. Bordeaux é linda — tem uma orla com uma trilha para caminhada, com muito espaço e distância dos carros. É um lugar tranquilo, com muitas áreas verdes. De Bordeaux, pegamos um trem para Biarritz, na França, e outro para San Sebastián, no norte da Espanha. Eu ainda não conhecia a parte francesa do País Basco, então isso foi muito legal.
Catarina Rivera sorri do lado de fora de um quiosque Once na Espanha (Catarina Rivera)
Catarina faz uma parada para uma selfie no campo em sua viagem Eurail (Catarina Rivera)
Catarina aprecia o pôr do sol em San Sebastián, Espanha (Catarina Rivera)
Qual é o seu conselho para quem está viajando pela primeira vez de Interrail e Eurail?
Se o seu trem exigir ou recomendar que você reserve assento, reserve seus assentos imediatamente e não demore. Muitas vezes há mapas de assentos dos trens on-line que mostram para que lado o seu assento estará voltado, caso você tenha preferência.
Gosto quando posso obter informações sobre os trens de forma escrita, como quando há uma lista de paradas em uma tela. Com minha deficiência auditiva, pode ser difícil ouvir anúncios sonoros, mas se não houver exibições visuais, uso um aplicativo de mapas no meu telefone para acompanhar o progresso do trem.
Se você tiver dúvidas, não tenha medo de perguntar. Em geral, a Europa não tem a cultura da correria das grandes cidades dos EUA. Descobri que as pessoas, quando fazíamos perguntas, eram muito prestativas.
Quando falo com estranhos que encontro em minhas viagens, tento me comunicar de forma muito clara, com mensagens curtas que transmitem exatamente o que eu preciso. Isso acaba virando um roteiro, o que é realmente útil quando tenho muito o que fazer. Incentivo os viajantes com deficiência a tentar esse método, usando sempre a mesma linguagem para transmitir suas necessidades. Dessa forma, você não precisa criar novas frases. Você não precisa nomear ou explicar sua deficiência se não quiser.
Para viajantes com deficiência, a comunicação com seus acompanhantes também é muito importante. Por exemplo, meu parceiro sabe que, se não tivermos assentos designados em um trem, levarei mais tempo para entender o ambiente. Eu realmente não poderei dar opinião sobre onde nos sentamos por um tempo. Então, se ele puder assumir a liderança, isso pode me ajudar.
Por fim, como pessoa cega, posso me machucar quando me movo muito rápido ou não tenho tempo para perceber um obstáculo. Portanto, mesmo que haja outras pessoas por perto, eu me dou um tempo extra e me concentro se estiver tentando encontrar um corrimão, por exemplo.
Espero que as pessoas viajem e tenham aventuras. Portanto, além das dicas práticas, eu recomendaria aos viajantes com deficiência que tenham paciência consigo mesmos.
Olhando para trás, qual foi o maior destaque da sua viagem?
Acho que foi o trem de Londres para Edimburgo. Foi uma das experiências de trem mais confortáveis que já tive, estando na primeira classe, com as refeições e o serviço.
O campo também era muito bonito. Olhando pela janela e vendo a paisagem mudando o tempo todo. É como assistir a um espetáculo ao vivo, verá diferentes cidades pequenas, fazendas e animais. Parece que você está em um filme.
Conheça o escritor
Rachel Schnalzer é redatora sênior da Eurail em mora em Utrecht, na Holanda.
Rota de trem preferida:
No inverno passado, viajei pela rota mais ao norte da rede de passes da Interrail, até Abisko, Suécia. Eu adorava acordar de manhã no trem noturno de Estocolmo para Abisko; o nascer do sol rosado refletido na neve do lado de fora da janela do trem era tão especial quanto ver a aurora boreal.
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